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  • Nayara Gavinho

Os traços do presente - Eu Projetivo X Eu Experiencial

​ O Design é o mais preciso indicador e representante tangível do tempo; traz com ele vestígios das eras mais primitivas e esconde em si, fantásticas previsões do que ainda há para ser mostrado ao mundo; tendências e influências que serão seguidas pelas próximas gerações e maneiras que serão redescobertas. Tais antevisões baseadas na arte visual, despertam curiosidade e causam certa angústia ao gerar reflexões que anseiam pela compreensão do futuro. A incerteza do amanhã faz com que esse seja visto com um olhar de medo, já que, tudo que é desconhecido, de alguma forma, nos assusta.


A “ansiedade do futuro” não é uma condição psicológica que afeta apenas cool-hunters, designers e apreciadores de seus conceitos. Todos os seres humanos estão sujeitos a conviver com essa ansiedade, a qual tem o poder de camuflar o presente, fazendo-o passar despercebido, como os grãos de areia de uma ampulheta que se tornam imperceptíveis a uma visão homogênea; os minuciosos detalhes do “agora” são ignorados quando direcionamos nosso foco apenas no misterioso futuro.


Mas a ansiedade pelo futuro não é a única culpada pela distorção da vivência plena de cada segundo - não há como negar a relevância do conhecimento que herdamos do passado e a sua função de referenciar o futuro, mas também é importante que esse passado não prejudique o presente; ao contrário da “ansiedade do futuro”, existe a “fixação pelo passado”. Essa fixação é uma forma não saudável de se basear em ocorrências, sensações e comportamentos realizados no passado, que pode restringir e inibir possíveis realizações futuras. Traumas, lembranças indesejáveis e nostalgia também são fatores que tornam o passado obcecante a ponto de “travar” e “amargar” o presente, prejudicando o seu “sabor”.


Por fim, a tecnologia - a mesma também vem contribuindo para o distanciamento do “aqui-agora”, mostrando que o individuo está se importando mais com o que está longe e fora do seu possível alcance, do que com o que está em sua volta. As pessoas estão sempre em busca do que não podem ter. O lado bom desse dilema é que a incessante busca pela realização do utópico “último” desejo, é o que move e motiva o ser humano; o faz caminhar e seguir em frente em direção aos seus objetivos.


Existe um mundo de infinitas perspectivas, ângulos, cores e formas que permitem que o homem crie e molde o “AGORA” da melhor maneira possível; uma maneira que beneficie não só ele próprio, mas sim, toda a humanidade. Cabe ao homem ter consciência do poder e das consequências de suas ações; cabe ao homem possuir a noção do tempo e espaço; cabe ao homem reconhecer a importância de cada segundo, que nos é oferecido como presente. Já o futuro...esse pode esperar.

© 2020 -  Nayara Gavinho